Reproduzimos abaixo a entrevista com Alberto Guerra, advogado de profissão e também Conselheiro do Grêmio. O assunto é o famoso episódio painel "FIFA", transformado, lógico, em piada pela grande Nação Tricolor. Aproveitamos para agradecer ao presidente do co-irmão, Sr. Vitório Pífero, e sua diretoria, por mais esta grandiosa pagação de vale ao mano mais velho. Continuem nos divertindo !
1. Guerra, nos conte como foi a tua denúncia na FIFA para a retirada desta marca do letreiro luminoso do co-irmão?
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos do site ducker.com.br, em especial ao Bettiol, pela oportunidade em poder expor como as coisas de fato aconteceram.
Gostaria de iniciar dizendo que não trata-se de uma denúncia, e sim de um comunicado corriqueiro e banal de quem trabalha com o direito de marcas. A FIFA não é cliente exclusivamente meu, e sim de um escritório que possui mais de 30 colaboradores trabalhando da qual eu faço parte como sócio. Entre sócios e associados somos em 10 advogados com diferentes predileções clubísticas, inclusive do Inter. O rumor que o caso tomou só chegou aonde chegou porque se relacionava com o SCI, numa cidade e num estado onde ele, junto com o Grêmio, monopolizam praticamente todos os habitantes.
Respondendo especificamente a sua pergunta, somos um escritório de Propriedade Intelectual, e como tal (TODOS agem assim), possuímos um departamento de "watching service" que consiste no controle e averiguação se as marcas dos nossos clientes estão sendo usadas e/ou registradas por terceiros. Identificado o uso (neste caso) é nosso DEVER informar o cliente. E foi exatamente o que aconteceu: um e-mail padrão informando sobre o uso e caso a FIFA não se sentisse prejudicada ou já tivesse autorizado, que desconsiderasse aquela missiva. Ainda que a questão envolvesse um clube como o SCI, não autorizava um procedimento diverso que não aquele que seguisse a rotina legal.
2. Então tu (para nossa decepção) não agiste como torcedor?
De maneira alguma ! Foi uma atitude padrão que realizamos dezenas de vezes por semana para TODOS os nossos clientes. Insisto que é um DEVER de quem pretende trabalhar com Propriedade Intelectual informar os seus clientes dos fatos que tomamos conhecimento, sob pena de omissão.
3. Inclusive com o nosso Grêmio tu agirias assim?
Em todas as Diretorias que eu participei tenho uma convicção pessoal de que eles jamais fariam isso. Se por ventura eles quisessem fazer uso de alguma marca, iriam me consultar. É para isso que eu estou lá. Se fizessem sem minha consulta, eu avisaria por escrito para deixar registrado, como fazemos desde 1995. E, via de regra, a Diretoria segue a orientação do Departamento Jurídico no que diz respeito a estes temas.
4. Mas, não é essa a idéia transmitida pela imprensa do RS nos últimos dias....
Pois é.... Houve, digamos, uma confusão entre a minha atividade como Diretor Jurídico e Conselheiro do Grêmio com a atividade que exerço em meu escritório com meus sócios.
Pois é.... Houve, digamos, uma confusão entre a minha atividade como Diretor Jurídico e Conselheiro do Grêmio com a atividade que exerço em meu escritório com meus sócios.
5. E teria alguma razão para isso?
Não, não teria, o profissional que exerce uma atividade seja qual for, médico, arquiteto, engenheiro, etc, não pode, no exercício da sua profissão, ser confundido com o cidadão que torce por este ou por aquele clube, sob pena de um médico não poder clinicar ou operar um colorado se for gremista, ou não poder construir uma casa ou um prédio para um adversário de paixão clubística. Como ficariam os jornalistas neste Estado ? Sem emprego, porque aqui no RS ou o cara nasce gremista ou nasce colorado, não tem meio termo, e o respeito aos profissionais não pode estar afeto à esta faculdade clubística. Confesso que isso deixou a mim e a todos que me rodeiam surpresos e chateados com o enfoque dado para algo juridicamente simples. Sei que passou a imagem de alguém preocupado em " sacanear" o outro ao invés de cuidar do seu próprio nariz, quando, na verdade, o escritório da qual faço parte atuou no estrito cumprimento do seu dever. A coincidência que um dos seus sócios é vinculado ao tradicional rival. Não posso afastar que a paixão clubística neste Estado é fator que, muitas das vezes, inverte a ordem do exame das relações, mas ainda sou daqueles que acredita que o respeito ao profissional tem que ficar acima de questões do tipo. Houve uma inversão de valores.
Não, não teria, o profissional que exerce uma atividade seja qual for, médico, arquiteto, engenheiro, etc, não pode, no exercício da sua profissão, ser confundido com o cidadão que torce por este ou por aquele clube, sob pena de um médico não poder clinicar ou operar um colorado se for gremista, ou não poder construir uma casa ou um prédio para um adversário de paixão clubística. Como ficariam os jornalistas neste Estado ? Sem emprego, porque aqui no RS ou o cara nasce gremista ou nasce colorado, não tem meio termo, e o respeito aos profissionais não pode estar afeto à esta faculdade clubística. Confesso que isso deixou a mim e a todos que me rodeiam surpresos e chateados com o enfoque dado para algo juridicamente simples. Sei que passou a imagem de alguém preocupado em " sacanear" o outro ao invés de cuidar do seu próprio nariz, quando, na verdade, o escritório da qual faço parte atuou no estrito cumprimento do seu dever. A coincidência que um dos seus sócios é vinculado ao tradicional rival. Não posso afastar que a paixão clubística neste Estado é fator que, muitas das vezes, inverte a ordem do exame das relações, mas ainda sou daqueles que acredita que o respeito ao profissional tem que ficar acima de questões do tipo. Houve uma inversão de valores.
6. Mas tu não contribuiste com isso com aquela matéria vinculada no Correio do Povo do dia 23/08/07?
De certa forma sim. Talvez tenha sido pouco desconfiado, de mais, e deveria ter combinado antes e checado melhor a forma de divulgação da entrevista, deveria saber que nestes episódios, envolvendo tanta paixão partes da noticia não raras vezes se sobrepõe ao conteúdo integral do fato, vale mais uma ou outra frase que possa render mais debate, mais repercussão, e não me ative a isto como deveria. A foto foi tirada posteriormente. Como tinha tido uma experiência anterior, em empresa do mesmo grupo, a Rádio, achei que não haveria encaminhamento diverso. Aconteceu o seguinte: o repórter da Guaíba AM Sergio Couto, a quem reputo um grande profissional, sabendo que este assunto havia sido tratado pelo escritório me ligou. Conversamos longamente e ele pediu para gravar uma entrevista. Ele me orientou da melhor forma e a entrevista que foi ao ar eu julguei perfeita. Enfocou estritamente o lado profissional sem deixar de mencionar no final que eu era gremista e conselheiro (fato importante ao repórter). Quem escutou (muitos amigos colorados escutaram) disse que a entrevista havia sido legal, pois não houve nenhuma hipótese de haver algum deboche na entrevista.
Só que, a partir desta mesma entrevista, nasceu a confusão. Um jornalista do jornal Correio do Povo escutou a entrevista e me ligou. Conversei com ele longamente, onde expliquei as razões da medida e da FIFA. Estava mais relaxado após a entrevista dada no rádio. No final, ele me perguntou o que eu achava e num contexto do bate papo ao final instalado, já desprendido da informação que prestava como profissional, me manifestei como torcedor: se a entrevista fosse ao vivo, numa rádio ou numa tv, ia ficar bem claro e notório a divisão que havia entre um bloco e outro dos comentários que fiz. Evidente que uma opinião de torcedor, depois de todo o trabalho executado como advogado, não se mistura com a atitude de quem executa a tarefa. O fato marcante é que dos 30 minutos conversados só foi divulgado os 3 minutos finais que expunha simplesmente um sentimento de um torcedor qualquer. O jornalista, o qual não culpo, agiu como tal, extraiu da entrevista aquilo que ele entendeu que ia repercutir mais, causar mais polêmica e, óbvio, render mais ao jornal como noticia: era o que ele pode ter considerado como a parte que mais interessava a isto, à noticia, à repercussão, ao debate. Aqui eu falhei, penso, deveria pedir para ver antes a matéria a ser veiculada, como, repito, aconteceu com o S. Couto, com o adendo que ele mesmo tomou esta iniciativa de separar bem as coisas, talvez mais preocupado em extrair a verdade real do que divulgar uma matéria mais bombástica. As matérias mais técnicas, penso, deve, ser, sempre - e aprendi isto - checada, porque é muito comum, até corriqueiro, os erros técnicos cometidos por quem pratica as reportagens, tanto no jornal como nos demais meios de comunicação, e isto é normal, até porque falta compreensão maior ao jornalista de fatos mais ligados a áreas específicas.
Com essa matéria explosiva surgiram outros programas debatendo o tema onde alguns jornalistas passaram a me injuriar. Criou-se uma bola de neve incontrolável, culminado essas injurias, numa espécie de respaldo, de uma incitação a violência para alguns mais exaltados da torcida colorada. Pena que alguns jornalistas, supostamente cultos e esclarecidos, e que poderiam, justamente, por se encontrarem diferenciados, por estarem vinculados clubísticamente ao SCI tenham ensejado um agravamento de relacionamento que não leva à nada, semente que só pode originar má colheita. Às vezes as torcidas entram em confronto e há imensa critica a isto, até porque a violência é causa de afugentamento das torcidas nos estádios. Penso que era hora de se refletir até que ponto determinadas colocações colaboram contra ou a favor disto.
De certa forma sim. Talvez tenha sido pouco desconfiado, de mais, e deveria ter combinado antes e checado melhor a forma de divulgação da entrevista, deveria saber que nestes episódios, envolvendo tanta paixão partes da noticia não raras vezes se sobrepõe ao conteúdo integral do fato, vale mais uma ou outra frase que possa render mais debate, mais repercussão, e não me ative a isto como deveria. A foto foi tirada posteriormente. Como tinha tido uma experiência anterior, em empresa do mesmo grupo, a Rádio, achei que não haveria encaminhamento diverso. Aconteceu o seguinte: o repórter da Guaíba AM Sergio Couto, a quem reputo um grande profissional, sabendo que este assunto havia sido tratado pelo escritório me ligou. Conversamos longamente e ele pediu para gravar uma entrevista. Ele me orientou da melhor forma e a entrevista que foi ao ar eu julguei perfeita. Enfocou estritamente o lado profissional sem deixar de mencionar no final que eu era gremista e conselheiro (fato importante ao repórter). Quem escutou (muitos amigos colorados escutaram) disse que a entrevista havia sido legal, pois não houve nenhuma hipótese de haver algum deboche na entrevista.
Só que, a partir desta mesma entrevista, nasceu a confusão. Um jornalista do jornal Correio do Povo escutou a entrevista e me ligou. Conversei com ele longamente, onde expliquei as razões da medida e da FIFA. Estava mais relaxado após a entrevista dada no rádio. No final, ele me perguntou o que eu achava e num contexto do bate papo ao final instalado, já desprendido da informação que prestava como profissional, me manifestei como torcedor: se a entrevista fosse ao vivo, numa rádio ou numa tv, ia ficar bem claro e notório a divisão que havia entre um bloco e outro dos comentários que fiz. Evidente que uma opinião de torcedor, depois de todo o trabalho executado como advogado, não se mistura com a atitude de quem executa a tarefa. O fato marcante é que dos 30 minutos conversados só foi divulgado os 3 minutos finais que expunha simplesmente um sentimento de um torcedor qualquer. O jornalista, o qual não culpo, agiu como tal, extraiu da entrevista aquilo que ele entendeu que ia repercutir mais, causar mais polêmica e, óbvio, render mais ao jornal como noticia: era o que ele pode ter considerado como a parte que mais interessava a isto, à noticia, à repercussão, ao debate. Aqui eu falhei, penso, deveria pedir para ver antes a matéria a ser veiculada, como, repito, aconteceu com o S. Couto, com o adendo que ele mesmo tomou esta iniciativa de separar bem as coisas, talvez mais preocupado em extrair a verdade real do que divulgar uma matéria mais bombástica. As matérias mais técnicas, penso, deve, ser, sempre - e aprendi isto - checada, porque é muito comum, até corriqueiro, os erros técnicos cometidos por quem pratica as reportagens, tanto no jornal como nos demais meios de comunicação, e isto é normal, até porque falta compreensão maior ao jornalista de fatos mais ligados a áreas específicas.
Com essa matéria explosiva surgiram outros programas debatendo o tema onde alguns jornalistas passaram a me injuriar. Criou-se uma bola de neve incontrolável, culminado essas injurias, numa espécie de respaldo, de uma incitação a violência para alguns mais exaltados da torcida colorada. Pena que alguns jornalistas, supostamente cultos e esclarecidos, e que poderiam, justamente, por se encontrarem diferenciados, por estarem vinculados clubísticamente ao SCI tenham ensejado um agravamento de relacionamento que não leva à nada, semente que só pode originar má colheita. Às vezes as torcidas entram em confronto e há imensa critica a isto, até porque a violência é causa de afugentamento das torcidas nos estádios. Penso que era hora de se refletir até que ponto determinadas colocações colaboram contra ou a favor disto.
7. Como assim violência? Tens sofrido alguma espécie de violência por causa disso?
Escutar algumas opiniões irresponsáveis me julgando pelo exercício da minha profissão é uma violência contra mim, meus sócios, minha família e contra o próprio Direito, eis que juridicamente o assunto é simples e não dá margens para discussão. E isso respalda parte da torcida colorada a pensar o mesmo. Para esses membros mais exaltados da torcida eu já tomei algumas medidas legais para garantir a minha integridade, pois identificamos alguns (via bina, email, orkut, entre outras formas).
Não debochei de ninguém. Nunca foi esta minha intenção. Mas algumas pessoas, na tentativa de achar um culpado, me elegeram, pois conseguiram personificar em alguém a quebra de um símbolo importante para eles. Notem que o fato de tirar o letreiro luminoso, o que irrita os colorados, não impede e não impedirá a imensa torcida do Grêmio de sustentar essa flauta e eles de continuarem se dizendo o que querem. E como este assunto mexe com a paixão, resulta neste tipo de incomodação. A reação é desproporcional. A propósito, o São Paulo e o Corinthians (que sequer ganhou uma Libertadores) não utilizaram letreiro com o nome FIFA, e fizeram bem, provavelmente estavam orientados para não o fazerem.
Escutar algumas opiniões irresponsáveis me julgando pelo exercício da minha profissão é uma violência contra mim, meus sócios, minha família e contra o próprio Direito, eis que juridicamente o assunto é simples e não dá margens para discussão. E isso respalda parte da torcida colorada a pensar o mesmo. Para esses membros mais exaltados da torcida eu já tomei algumas medidas legais para garantir a minha integridade, pois identificamos alguns (via bina, email, orkut, entre outras formas).
Não debochei de ninguém. Nunca foi esta minha intenção. Mas algumas pessoas, na tentativa de achar um culpado, me elegeram, pois conseguiram personificar em alguém a quebra de um símbolo importante para eles. Notem que o fato de tirar o letreiro luminoso, o que irrita os colorados, não impede e não impedirá a imensa torcida do Grêmio de sustentar essa flauta e eles de continuarem se dizendo o que querem. E como este assunto mexe com a paixão, resulta neste tipo de incomodação. A reação é desproporcional. A propósito, o São Paulo e o Corinthians (que sequer ganhou uma Libertadores) não utilizaram letreiro com o nome FIFA, e fizeram bem, provavelmente estavam orientados para não o fazerem.
8. E porque tu somente te pronunciou agora ? Semanas após a retirada do letreiro luminoso da FIFA?
Primeiramente pelo bom trabalho investigativo do Sergio Couto. Depois, aceitei aparecer para aparar algumas injustiças que se produziram neste tempo. E também porque o assunto repercutiu demais. Aqui é necessário que se faça uma reflexão inevitável. A rivalidade Grenal talvez seja a maior do Brasil entre clubes. O Grêmio foi Campeão do Mundo em 1983 e isto acirrou muito as diferenças entre os clubes. O SCI passou longo tempo sem alcançar titulos mais importantes, e nunca tinha vencido um título sul americano. Quando a hora chegou, havia uma imensa disposição de se vingar (no bom sentido) de todo o passado em que o rival se vangloriou. Ora, neste momento, a utilização do letreiro foi extremamente explorada como forma de tentar diminuir o título do inimigo, passando, os dirigentes colorados a emprestarem tamanha importância a isto que eles não falavam no título sem salientar o "FIFA", logo a seguir, em qualquer intervenção em qualquer meio de comunicação. Veja-se, repetindo, que em São Paulo isto não aconteceu. Quando surge a vedação do nome da entidade no letreiro do estádio, é natural que isto cause enorme repercussão, frustração de um lado, e chacotas de outro. Faz parte do folclore do nosso futebol. O que não pode acontecer é deixar um profissional que cumpriu com seu dever no meio de um fogo cruzado pelo prazer de aumentar a repercussão. Isso pode causar, a este profissional, danos de diversas formas, entre eles danos morais o que, a partir de injúrias e difamações, já criaram. Mas para isso, se for o caso, tem remédio, e o meu dever não vou deixar de continuar cumprindo porque vivo dele e vivo toda a minha carreira profissional ciente de que tenho que cumprir o juramento que fiz, e dele não abro mão.
Primeiramente pelo bom trabalho investigativo do Sergio Couto. Depois, aceitei aparecer para aparar algumas injustiças que se produziram neste tempo. E também porque o assunto repercutiu demais. Aqui é necessário que se faça uma reflexão inevitável. A rivalidade Grenal talvez seja a maior do Brasil entre clubes. O Grêmio foi Campeão do Mundo em 1983 e isto acirrou muito as diferenças entre os clubes. O SCI passou longo tempo sem alcançar titulos mais importantes, e nunca tinha vencido um título sul americano. Quando a hora chegou, havia uma imensa disposição de se vingar (no bom sentido) de todo o passado em que o rival se vangloriou. Ora, neste momento, a utilização do letreiro foi extremamente explorada como forma de tentar diminuir o título do inimigo, passando, os dirigentes colorados a emprestarem tamanha importância a isto que eles não falavam no título sem salientar o "FIFA", logo a seguir, em qualquer intervenção em qualquer meio de comunicação. Veja-se, repetindo, que em São Paulo isto não aconteceu. Quando surge a vedação do nome da entidade no letreiro do estádio, é natural que isto cause enorme repercussão, frustração de um lado, e chacotas de outro. Faz parte do folclore do nosso futebol. O que não pode acontecer é deixar um profissional que cumpriu com seu dever no meio de um fogo cruzado pelo prazer de aumentar a repercussão. Isso pode causar, a este profissional, danos de diversas formas, entre eles danos morais o que, a partir de injúrias e difamações, já criaram. Mas para isso, se for o caso, tem remédio, e o meu dever não vou deixar de continuar cumprindo porque vivo dele e vivo toda a minha carreira profissional ciente de que tenho que cumprir o juramento que fiz, e dele não abro mão.
9. E esta turma do Beira-Rio sabia, tinha ciência, de que seria feito alguma coisa se o letreiro continuasse lá ?
Depois do primeiro jogo do final da Libertadores em Buenos Aires, um dos meus sócios encontrou no Aeroporto daquela capital o Presidente do SCI. Conversaram longamente enquanto aguardavam o vôo e o meu sócio lhe disse que, em cumprimento ao nosso dever, enviamos tal e-mail padrão ao nosso cliente. Pelo que sei através do meu sócio, o Presidente entendeu perfeitamente a situação e ainda pediu o nosso auxílio em outro tema junto a FIFA: uma autorização para fazer a réplica da taça. Meu sócio aceitou auxiliá-lo no mesmo ato e sem hesitação, até mesmo porque se conhecem há muitos anos. Ao chegar no escritório e relatar a todos sobre a conversa no aeroporto de Ezeiza com o Presidente, designamos um outro advogado torcedor do SCI para fazer contato com o Presidente do Inter, como meu sócio havia combinado no referido encontro. Designamos um jovem advogado colorado para que ele entrasse em contato com o seu clube do coração e ajudasse a obter tudo que o Inter quisesse. Ligou inúmeras vezes para o Presidente e sua secretária, deixando os respectivos recados. Ele sempre foi muito bem tratado no SCI, mas aparentemente essa não era uma prioridade naquela época, o que entendemos perfeitamente. Neste meio tempo a FIFA encaminhou diretamente para o Inter um pedido para que retirasse o letreiro luminoso aparentemente sem margens de negociação. Notem que este pedido não foi encaminhado através do meu escritório ou de mim e sim direto da FIFA. Assim, não havia mais nada que este advogado pudesse fazer.
Na seqüência, houve uma festa nas dependências do SCI e esse advogado associado do meu escritório foi comemorar com seus amigos. Lá, identificou-se com o Presidente, eis que eles só haviam conversado por telefone e disse que continuava a disposição para auxiliar na réplica da taça. O Presidente não tratou bem este rapaz e insinuou que ele advogara contra o clube. Ele voltou no dia seguinte muito chateado com isso e nos relatou o ocorrido. Em nossa reunião interna eu disse que ele era muito jovem e tinha uma carreira enorme pela frente e que não ia ficar bem essa fama de advogar contra o seu próprio time nesta época da vida. A partir daí, resolvi aceitar a entrevista do Sergio Couto para "matar no peito" essa responsabilidade e assumir a paternidade. Utilizei ironicamente com Sergio Couto, e ele reproduziu com o Reche no programa, que estavam surgindo outros "pais da criança". Era justamente uma ironia para tirar o foco do rapaz que seria o "pai da criança". Agora vejam vocês: UM REPREENDIDO PORQUE ESTARIA ADVOGANDO CONTRA SEU PRÓPRIO CLUBE E O OUTRO EXECRADO PORQUE SERIA CONSELHEIRO DO CLUBE RIVAL, ora, por favor, vamos ter uma postura mais digna ! Convenhamos !
Depois do primeiro jogo do final da Libertadores em Buenos Aires, um dos meus sócios encontrou no Aeroporto daquela capital o Presidente do SCI. Conversaram longamente enquanto aguardavam o vôo e o meu sócio lhe disse que, em cumprimento ao nosso dever, enviamos tal e-mail padrão ao nosso cliente. Pelo que sei através do meu sócio, o Presidente entendeu perfeitamente a situação e ainda pediu o nosso auxílio em outro tema junto a FIFA: uma autorização para fazer a réplica da taça. Meu sócio aceitou auxiliá-lo no mesmo ato e sem hesitação, até mesmo porque se conhecem há muitos anos. Ao chegar no escritório e relatar a todos sobre a conversa no aeroporto de Ezeiza com o Presidente, designamos um outro advogado torcedor do SCI para fazer contato com o Presidente do Inter, como meu sócio havia combinado no referido encontro. Designamos um jovem advogado colorado para que ele entrasse em contato com o seu clube do coração e ajudasse a obter tudo que o Inter quisesse. Ligou inúmeras vezes para o Presidente e sua secretária, deixando os respectivos recados. Ele sempre foi muito bem tratado no SCI, mas aparentemente essa não era uma prioridade naquela época, o que entendemos perfeitamente. Neste meio tempo a FIFA encaminhou diretamente para o Inter um pedido para que retirasse o letreiro luminoso aparentemente sem margens de negociação. Notem que este pedido não foi encaminhado através do meu escritório ou de mim e sim direto da FIFA. Assim, não havia mais nada que este advogado pudesse fazer.
Na seqüência, houve uma festa nas dependências do SCI e esse advogado associado do meu escritório foi comemorar com seus amigos. Lá, identificou-se com o Presidente, eis que eles só haviam conversado por telefone e disse que continuava a disposição para auxiliar na réplica da taça. O Presidente não tratou bem este rapaz e insinuou que ele advogara contra o clube. Ele voltou no dia seguinte muito chateado com isso e nos relatou o ocorrido. Em nossa reunião interna eu disse que ele era muito jovem e tinha uma carreira enorme pela frente e que não ia ficar bem essa fama de advogar contra o seu próprio time nesta época da vida. A partir daí, resolvi aceitar a entrevista do Sergio Couto para "matar no peito" essa responsabilidade e assumir a paternidade. Utilizei ironicamente com Sergio Couto, e ele reproduziu com o Reche no programa, que estavam surgindo outros "pais da criança". Era justamente uma ironia para tirar o foco do rapaz que seria o "pai da criança". Agora vejam vocês: UM REPREENDIDO PORQUE ESTARIA ADVOGANDO CONTRA SEU PRÓPRIO CLUBE E O OUTRO EXECRADO PORQUE SERIA CONSELHEIRO DO CLUBE RIVAL, ora, por favor, vamos ter uma postura mais digna ! Convenhamos !
10. Mas, então, os dirigentes dos vermelhos já sabiam de tudo e com antecedência ?
Sim ! Dois dias após o jogo entre o Grêmio e o Boca em Buenos Aires, uma sexta-feira pela manhã, eles tomaram conhecimento.
Sim ! Dois dias após o jogo entre o Grêmio e o Boca em Buenos Aires, uma sexta-feira pela manhã, eles tomaram conhecimento.
11. Essa tua versão é comprovável?
Contei toda essa história ao Sergio Couto antes da primeira entrevista de rádio e mesmo sabendo disso ele fez uma entrevista do ponto de vista meramente profissional. Todos os meus amigos mais chegados e membros do meu escritório, torcedores de todos os clubes do estado, sempre souberam dessa história.
Contei toda essa história ao Sergio Couto antes da primeira entrevista de rádio e mesmo sabendo disso ele fez uma entrevista do ponto de vista meramente profissional. Todos os meus amigos mais chegados e membros do meu escritório, torcedores de todos os clubes do estado, sempre souberam dessa história.
12. Mas, aqui entre nós, como torcedor, como foi fazer este serviço?
Olha, corre sangue nas minhas veias e não vou negar. Mas foi somente este o enfoque dado pela reportagem. Quem me conhece sabe que sou muito gremista, fui até de torcida organizada na juventude, mas também nunca fui um anti-SCI. Sou casado com uma mlher cujo avô dela foi um dos grandes responsáveis pela construção do Beira-Rio. Como gremista, sou um " estranho no ninho" nessa família, mas sempre conversamos em alto nível. Eles acompanharam todo o ocorrido e estão perplexos também. Reputo a uma grande coincidência o que aconteceu e um grande mal entendido toda essa celeuma. Gremistas me cumprimentam por este fato e colorados me odeiam. Mas daí eu me pergunto: será que existe um colorado que não gostaria de ter feito algo do gênero contra o Grêmio ainda que não fosse no cumprimento do seu dever ? Eu não posso mentir que teve um gosto especial. Acho que algumas pessoas tratam este tema com hipocrisia. Se fosse contra o Grêmio eu também faria o mesmo trabalho, só que com dor no coração, mas faria sem dúvida nenhuma. Pensem numa coisa: alguns jogadores passam por aqui e se afeiçoam tanto ao Grêmio ou ao SCI que passam a torcer por eles. Um dia retornam para enfrentá-los e fazem um gol e não comemoram, como aconteceu com o Gamarra, ou, como acontece quando o Renato Portalupi vem como treinador e ganha o jogo no Olímpico. A relação é a mesma.
Olha, corre sangue nas minhas veias e não vou negar. Mas foi somente este o enfoque dado pela reportagem. Quem me conhece sabe que sou muito gremista, fui até de torcida organizada na juventude, mas também nunca fui um anti-SCI. Sou casado com uma mlher cujo avô dela foi um dos grandes responsáveis pela construção do Beira-Rio. Como gremista, sou um " estranho no ninho" nessa família, mas sempre conversamos em alto nível. Eles acompanharam todo o ocorrido e estão perplexos também. Reputo a uma grande coincidência o que aconteceu e um grande mal entendido toda essa celeuma. Gremistas me cumprimentam por este fato e colorados me odeiam. Mas daí eu me pergunto: será que existe um colorado que não gostaria de ter feito algo do gênero contra o Grêmio ainda que não fosse no cumprimento do seu dever ? Eu não posso mentir que teve um gosto especial. Acho que algumas pessoas tratam este tema com hipocrisia. Se fosse contra o Grêmio eu também faria o mesmo trabalho, só que com dor no coração, mas faria sem dúvida nenhuma. Pensem numa coisa: alguns jogadores passam por aqui e se afeiçoam tanto ao Grêmio ou ao SCI que passam a torcer por eles. Um dia retornam para enfrentá-los e fazem um gol e não comemoram, como aconteceu com o Gamarra, ou, como acontece quando o Renato Portalupi vem como treinador e ganha o jogo no Olímpico. A relação é a mesma.
13. Guerra, há algo mais que tu gostarias de dizer.
Para finalizar gostaria de dizer que é muito ruim falar num espaço tão nobre da nossa apaixonada torcida gremista, a maior e melhor do Sul do Brasil, sobre algo particular meu e que envolve o nosso tradicional adversário. Mas, que este espaço para registrar os fatos como exatamente ocorreram será eternamente lembrado por mim. Obrigado.
Para finalizar gostaria de dizer que é muito ruim falar num espaço tão nobre da nossa apaixonada torcida gremista, a maior e melhor do Sul do Brasil, sobre algo particular meu e que envolve o nosso tradicional adversário. Mas, que este espaço para registrar os fatos como exatamente ocorreram será eternamente lembrado por mim. Obrigado.
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